O médico sussurrou: “Nas costas do seu marido são visíveis marcas de unhas femininas”. Olhei para o meu marido “paralisado”, afastei lentamente o cobertor — e literalmente fiquei petrificada. 😨😱
Durante três dias Marco esteve deitado na nossa cama larga na pose de um herói trágico. Os braços estendidos ao longo do corpo, o rosto cheio de sofrimento universal, e o cobertor cuidadosamente puxado até ao queixo, como se por baixo dele se escondessem as feridas mais terríveis que a medicina conhece.
— Lia, já não sinto o dedo mindinho do pé esquerdo… — gemia ele, e a sua voz tremia como se estivesse a atuar num palco diante de uma sala cheia. — Está tudo acabado. Acho que estou paralisado.
— Marco, acabaste de adormecer a perna. Estás imóvel há quase três horas.
— Esqueceste-te de como me sacrifiquei por esta casa? Eu movi aquele maldito sofá para que pudesses ver a tua série com mais conforto.
Na realidade, três dias antes Marco apenas se tinha inclinado para apanhar a tampa de uma garrafa de cerveja que tinha rolado para debaixo da poltrona.
Na versão dele, parecia um ato heroico: como se tivesse salvado a casa de uma catástrofe.
Desde então eu corria entre a cozinha e o quarto, levando sopas, almofadas, medicamentos e ouvindo pacientemente os seus discursos dramáticos sobre o destino e a incapacidade.
Quando o nosso conhecido neurologista, o doutor Daniel, chegou, Marco intensificou imediatamente a sua atuação: gemeu mais alto, revirou os olhos e até tentou imitar tremores nas pernas. O exame não durou muito. Os reflexos revelaram-se perfeitos.
— Vire-se de barriga para baixo, — disse calmamente o médico.
Um minuto depois o doutor ficou subitamente imóvel, inclinou-se mais perto e passou o dedo pelas costas dele. Depois tirou os óculos, e no seu rosto apareceu uma expressão estranha — uma mistura de embaraço e surpresa.
— Lia, podes vir aqui um momento? — disse ele em voz baixa. — Vamos deixar o paciente descansar um pouco.
Saímos para a cozinha, e eu fechei a porta.
O meu coração começou a bater mais depressa.
— Então? — perguntei. — É grave?
O médico suspirou.
— Do ponto de vista médico tudo é simples, — disse ele. — Uma leve inflamação muscular, nada sério. Mas há um… detalhe.
Ele baixou a voz quase até um sussurro:
— Nas costas do seu marido há marcas longas e profundas muito características.
— Marcas de uma queda?
— Não… antes marcas de paixão… mais precisamente de unhas femininas.
Olhei lentamente para as minhas mãos — unhas curtas, sem verniz, ásperas do trabalho na cozinha e do trabalho.
E naquele momento a voz de Marco ouviu-se de repente no quarto… 😰
Continuação no primeiro comentário.👇👇
Respirei lentamente, tentando manter o rosto calmo. Por dentro tudo já começava a formar uma imagem desagradável, mas perfeitamente clara.
— Obrigada, doutor Daniel, — disse eu baixinho. — Parece que o tratamento realmente já está a começar.
Quando voltei ao quarto, Marco estava deitado exatamente como antes — com a expressão de um mártir e a boca ligeiramente aberta. Ao ver-me, gemeu imediatamente mais alto.
— Lia… acho que a dor está a aumentar… Provavelmente vou precisar de mais alguns dias de descanso absoluto.
Aproximei-me, peguei numa cadeira e sentei-me calmamente em frente à cama.
— Surpreendente, — disse suavemente. — O médico afirma que dentro de alguns dias estarás completamente saudável.
Marco ficou visivelmente tenso.
— A sério? — perguntou com cautela.
Sorri levemente e levantei lentamente do chão o comando que ele “não conseguia” alcançar. Depois, com a mesma calma, puxei o cobertor para baixo, revelando as suas costas.
— Só que há um pequeno detalhe, Marco… — disse quase com ternura. — O médico ficou muito interessado nos arranhões nas tuas costas. Longos. Profundos. Femininos.
Por um segundo, o silêncio tomou conta do quarto.
E aconteceu um verdadeiro milagre: o homem que durante três dias não sentia as pernas levantou-se subitamente na cama.
Olhei para ele em silêncio.
— Parece que, — disse eu calmamente ao levantar-me, — a medicina hoje voltou a provar a sua eficácia.
Especialmente quando o diagnóstico é feito pela verdade.


