Na estação, meu marido comprou um café para mim e insistiu que eu o bebesse até o fim. Depois de alguns goles, tudo escureceu diante dos meus olhos. Quando recuperei a consciência, eu já estava em um trem que corria em uma direção completamente desconhecida para mim.😨😱
Eu estava na estação, segurando a mala e o bilhete nas mãos. Meu coração batia forte — apenas duas semanas longe da vida habitual… mas até essa pequena fuga parecia um raio de luz na parede cinzenta de concreto da minha realidade.
De repente senti uma mão no meu ombro e me assustei.
Diante de mim estava Daniel. Em seu rosto havia um sorriso calmo, que eu já tinha aprendido a interpretar como um aviso.
— Você está pronta? O trem sai em quarenta minutos — disse ele.
Apenas assenti em silêncio. O olhar dele parou nas minhas mãos levemente trêmulas, e um frio percorreu minhas costas.
— Espere aqui — acrescentou ele em voz baixa. — Vou trazer um café para você. Beba e se acalme.
Alguns minutos depois ele voltou com dois copos.
— Beba enquanto ainda está quente.
Tomei um gole. O café era amargo, com um estranho gosto de ervas. Alguns minutos depois o mundo começou a girar. Os sons da estação ficaram abafados, como se viessem debaixo d’água.
Com dificuldade cheguei ao trem, encontrei meu compartimento e quase imediatamente caí em um sono pesado.
Acordei com um solavanco brusco do trem. Minhas têmporas latejavam, minha cabeça girava e o mundo ao redor parecia desfocado, como uma fotografia mal revelada.
Já estávamos em movimento.
Mas quase imediatamente percebi — algo estava errado.
Desci da cama e olhei pela janela. As paisagens não eram nada parecidas com aquelas que eu esperava ver.
No compartimento, além de mim, havia outra pessoa. Um jovem de cerca de trinta anos estava sentado perto da janela.
Ao ouvir meus passos, ele se virou. Ao ver meu rosto pálido, primeiro se surpreendeu, mas depois sorriu calorosamente.
— Oh, você acordou! Eu já pensava que você dormiria até a estação final.
— Para onde… estamos indo? — perguntei, sem fôlego.
— Para o sul. Para Eldinor. E você?
— Eu… deveria estar indo para outra cidade, para o mar…
O rapaz ficou sério de repente e me olhou com atenção.
— Espere… Laura? Laura Stevens?
Fiquei imóvel.
Observei melhor seu rosto: cabelos escuros curtos, olhos cinzentos, um sorriso familiar.
— Você não se lembra de mim? Sou eu, Alex. Nós estudamos juntos.
— Alex… — sussurrei.
As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e, sem perceber, comecei a contar tudo a ele: como Daniel transformou minha vida em uma prisão, controlando cada passo, afastando-me dos amigos e da família, obrigando-me a passar o apartamento para o nome dele. E como eu comprei aquele bilhete para fugir.
E sobre o café na estação.
Alex ouviu em silêncio, seu rosto ficando duro.
— Ele te drogou — disse baixinho. — Colocou algo no café e te colocou no trem errado. Enquanto você estiver indo para Eldinor, ele vai preparar os “documentos” necessários.
Ele pegou o telefone.
— Vou chamar uma ambulância. Na próxima estação vão examiná-la.
Na pequena estação “Eldinor Oriental”, uma ambulância já nos esperava. Alex falou calmamente com os médicos, ajudou-me a sair do trem e entregou minhas coisas.
Depois veio uma injeção e um longo sono.
Quando acordei, estava em um quarto de hospital. Alex estava sentado perto da janela.
— Olá — disse ele. — Você dormiu dois dias. Encontraram medicamentos fortes no seu sangue. Nessa dose, ele poderia causar amnésia.
Fechei os olhos.
😵😱 Então Daniel realmente queria que eu desaparecesse em algum lugar no caminho.
Mas então surgiu outra pergunta. Por que Alex permaneceu ao meu lado todo esse tempo…?
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Mas então surgiu outra pergunta.
Por que Alex permaneceu ao meu lado todo esse tempo?
Fiquei em silêncio por um longo tempo, reunindo forças, e finalmente perguntei isso em voz baixa. Alex desviou o olhar para a janela por um momento, como se procurasse as palavras.
Depois suspirou e disse calmamente que, no início, simplesmente não podia me deixar sozinha. Ele viu em que estado eu estava e entendia que, se fosse embora, eu teria que enfrentar tudo aquilo novamente sem apoio.
Mas acabou que não era só isso.
Alex confessou que, enquanto eu dormia, ajudou os médicos a entrar em contato com a polícia e contou tudo o que eu havia relatado. Os médicos confirmaram a presença de um forte tranquilizante no meu sangue, e isso foi suficiente para iniciar uma investigação. Um dia depois, a polícia já estava procurando Daniel.
Eu o escutava e sentia algo estranho e novo surgindo dentro de mim pela primeira vez em muito tempo — tranquilidade.
Minha vida ainda não tinha ficado mais fácil. Pela frente ainda haveria conversas com investigadores, longos processos e a necessidade de reconstruir minha vida.
Mas o mais importante já tinha acontecido.
Eu não estava mais sozinha e não estava mais presa.
E quando Alex perguntou para onde eu iria depois que recebesse alta, eu sorri pela primeira vez em muito tempo e respondi baixinho:
— Para o mar. Mas desta vez — para onde eu mesma escolher.


